O marketing digital transformou a forma como dentistas se comunicam com o público.
O Instagram, especialmente, tornou-se uma vitrine poderosa — exibindo sorrisos, transformações e conquistas clínicas em formato visual, acessível e atrativo.
Mas há um ponto que não pode ser ignorado: a publicidade na odontologia é uma prática permitida, porém rigorosamente regulada.
E o profissional que ultrapassa os limites éticos pode estar, sem perceber, criando uma promessa de resultado, o que representa uma infração ética e um risco jurídico sério.
Publicidade na odontologia: o que o Código de Ética permite (e proíbe)
O Código de Ética Odontológica, instituído pela Resolução CFO nº 118/2012, é o principal instrumento que orienta a conduta dos profissionais. Ele permite a divulgação dos serviços odontológicos, desde que respeitados os princípios éticos e a dignidade do paciente.
A exposição de casos clínicos é uma prática comum — e legítima, desde que feita com responsabilidade.
O Conselho Federal de Odontologia recomenda substituir o termo popular “antes e depois” por “diagnóstico e conclusão”, justamente para evitar interpretações que induzam garantia de resultado.
Além disso:
• A divulgação deve ser feita pelo profissional pessoa física, nunca pela clínica;
• O momento do “durante” é terminantemente proibido — ou seja, é vedado mostrar o paciente em procedimento, sob anestesia ou em exposição física;
• Mesmo com consentimento, o TCLE não autoriza condutas proibidas pelo Código de Ética.
Em resumo: o paciente não é um instrumento de autopromoção.
A imagem do paciente deve ser tratada com o mesmo cuidado que se trata sua saúde.
O “durante” é proibido — e o motivo é ético e humano
Gravar o momento do atendimento, ainda que com fins educativos ou com autorização do paciente, viola a ética odontológica.
Durante o procedimento, o paciente está em situação de vulnerabilidade, o que impede qualquer uso de sua imagem com fins de marketing.
O Código de Ética Odontológica é categórico: o foco do profissional deve estar na assistência, não na autopromoção.
Mostrar o “durante” transforma o cuidado em espetáculo — e fere o propósito essencial da odontologia, que é cuidar, não entreter.
Prometer resultados: o risco jurídico invisível
Ao publicar sequências frequentes de “antes e depois”, o dentista pode criar uma expectativa implícita de resultado, gerando o que o Direito chama de garantia de resultado.
E quando o resultado não é atingido, o paciente pode alegar publicidade enganosa ou falha na prestação do serviço, abrindo espaço para ações judiciais e processos éticos.
A repetição dessas publicações, mesmo sem intenção, induz o público a acreditar que o resultado obtido será igual para todos os casos — o que é impossível na prática clínica.
Por isso, o conteúdo deve ter caráter informativo, jamais comercial, sensacionalista ou autopromocional.
Consequências éticas e legais
A violação ao Código de Ética pode gerar:
• Processo ético e penalidades que vão de advertência à suspensão;
• Danos à reputação profissional e à credibilidade junto a pacientes e colegas;
• Ações civis por violação à imagem ou dano moral, mesmo com consentimento formal;
• Risco de judicialização, com base no Código de Defesa do Consumidor e na LGPD.
Lembre-se: o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) não isenta o profissional de responsabilidade ética.
Nenhum TCLE autoriza o que o Código proíbe.
Dicas para uma publicidade odontológica ética e segura
• Oriente sua equipe de marketing: muitas agências desconhecem as normas do CFO, mas o dentista é o responsável legal por todo conteúdo publicado;
• Use “diagnóstico e conclusão”, nunca “antes e depois” porque essa terminologia é a recomendada pelo Conselho Federal de Odontologia e, reduz riscos de interpretação enganosa;
• Não publique o “durante”, pois lembre-se que paciente em tratamento é um ser humano em cuidado, não uma peça publicitária;
• Publique sempre com propósito educativo porque a boa publicidade informa, orienta e valoriza a odontologia — sem prometer o que não se pode garantir.
O marketing ético é o que mais gera confiança
O uso consciente das redes sociais é um aliado poderoso na valorização da odontologia.
Mas é preciso lembrar: o verdadeiro marketing é o da credibilidade. Mais do que likes, o profissional deve buscar respeito, confiança e segurança jurídica.
Porque reputação não se constrói com engajamento — se constrói com ética, coerência e responsabilidade.
O compromisso do Instituto DAS
O Instituto DAS – Direito Aplicado à Saúde atua para promover a segurança jurídica e a prática ética na odontologia.
Por meio do Programa Dentista Faz Direito, orientamos profissionais e clínicas a adequarem sua comunicação, documentação e conduta, evitando riscos éticos e jurídicos e fortalecendo a confiança com seus pacientes.
Antes de postar, reflita:
– Essa publicação valoriza a odontologia ou apenas me promove?
A resposta a essa pergunta pode definir o futuro da sua reputação.